quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Diversão com os filhos

 

Levei minha doce Isabella para ver Harry Potter e as relíquias da morte;esta é uma boa desculpa para ir assistir aos estertores finais do bruxinho, de quem me tornei fã ao longo dos anos. Pena que o harry literário esteja em franca decadência. Os livros foram lançados, muito se falou sobre eles, mas agora andam relegados às prateleiras de fundo, solapados por toneladas de baixa literaura vampiresca ou sobrenatural, que, parece, é a moda do momento.

Se compararmos os livros de harry com a moda dos vampiros, aquele vence com folga. Harry é um personagem completo, que evoluiu em cada um dos seus livros: de um jovem esquisito e deslocado, para um adolescente cheio de dúvidas e expectativas, para um quase adulto determinado a recuperar seu espaço no mundo.

Já os vampirinhos de plantão (inclusive sookie) servem apenas para ferver os hormônios saltitantes dos adolescentes mundo afora!

Harry, o filme, é bom, muito bom mesmo. Um fecho excitante para uma saga que apresentou altos e baixos. O harry da pedra filosofal (acho que pelas mãos de chris columbus) era apenas uma diversão hollywoodiana, sem muito conteúdo. Deveu-se seu sucesso aos bons atores e à fama , merecida, dos livros. Até nisto harry foi diferente, ele amadureceu nos filmes e livros tanto na forma, quanto no conteúdo.

\tanto que este filme que ora ocupa os cinemas, não tem nada de infanto-juvenil, trata-se de um raro exemplar de filme de aventuras para adultos. Sério, bonito de ver, bem interpretado e com efeitos fantásticos.

Pena que está chegando ao fim.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma lição de capitalismo

 

Sou do tempo do cassete. Todo mundo tinha umas fitinhas com suas músicas prediletas. A gente comprava compactos – um pequeno vinil com no máximo quatro músicas, duas de cada lado – que eram os chamados singles , ou músicas de trabalho, das nossas bandas favoritas. Como a gente não nadava na grana, os compactos eram passados de mão em mão e a gente ia formando as nossas fitas cassetes das músicas preferidas. Em seguida eram as fitas que passavam de mão em mão. Mas como o mundo eram muito menos globalizado do que hoje em dia e a tecnologia , principalmente, era menos desenvolvida – toda esta onda não representou uma perda significativa para a indústria fonográfica, ainda que tenha passado pela cabeça dos chefões dos estúdios inibir esse movimento. Mesmo assim, nunca se ganhou tanto dinheiro com a venda de discos, de fitas cassete, de gravadores e pickups. Ou seja, independente dos interesses da indústria fonográfica, se dava dinheiro, o capitalismo se punha em marcha e colocava no mercado o que o mercado queria. Ainda que, de uma certa maneira, estivesse estimulando uma onda que, na origem, era contra o mainstream, ou melhor, o sistema.

Sou portanto um dinossauro. Professor de história por formação. Corpo velho, mas mente ativa. Antenado, como se diz hoje em dia. Ainda assim, fica dificil compreender o avanço tecnológico. Fico na ponta de consumo: usufruo sem procurar me especalizar nos meandros midiáticos. Deixo para os nerds e geeks o desenvolvimento de novas e cobiçadas tecnologias.

Me espanto em ver filmes inteiros em memória flash e com qualidade superior às fitas magnéticas de um passado nem tão remoto. Discografias em mp3 sendo carregadas de um lado para o outro em aparelhos celulares. Zilhões de fotos acumuladas em câmeras digitais que custam cerca de 150,00 reais e podem ser reproduzidas e distribuidas entre todos pelas redes sociais ou mesmo diretamente por mercanismos como o bluetooth, que já vêm nas câmeras, nos celulares, mp4, etc etc. Aumentando exponencialmente a capacidade de reprodução de conteúdo e facilitando sobremaneira nossa vida cotidiana.

Ah , o que não faríamos com esses gadgets nos anos 60 70 80 90?!

Que inveja dessa juventude que pode carregar consigo uma biblioteca inteira em poucos centímetros de pura arquitetura tecnológica. Quanto menor, melhor.

É o que eu chamo de capitalismo hipócrita. Capaz de se alimentar de mecanismos que, em teoria, representam os limites para sua criação de lucros e dividendos, recriando-se na destruição provocada por sua própria incapacidade de impor limites aos seus interesses corporativos e al avanço científico e tecnológico, cujas amarras foram desatadas a partir da revolução industrial.

Por isso, enquanto no judiciário os defensores do copyright lutam para coibir as práticas de distribuição de conteúdos, ramos diferentes dos mesmos conglomerados inundam o mercado de gadgets capazes de alavancar justamente a compressão e distribuição de produtos culturais, ou seja, livros revistas músicas e filmes, colocando o mercado no que. no meu tempo se chamava, uma sinuca de bico.

Mas, demonstrando uma saúde fantástica, e uma capacidade única de se reinventar, o capitalismo vai sobreviver à mais esta provação; como sobreviveu ao socialismo, ao comunismo, ao muro de berlim, à guerra, às crises sazonais, etc.

Não entendam este último parágrafo como um elogio, mas como uma constatação.

Mais uma voz contra o uso desenfreado da internet

 

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/12/mario-vargas-llosa-lamenta-os-efeitos-da-internet-na-cultura.html

 

Vargas Llosa prêmio nobel de literatura de 2010 também lamenta o uso sem medidas da internet – limitando, com isto, a profundidade de pensamento.

“Banalização, frivolização e superficialidade” são os frutos do uso constante dessa tecnologia, em substituição às outras formas de transmissão de saber, segundo o autor.

Emburrecendo

 

As atividades cerebrais precisam ser exercitadas constantemente, como a maioria dos jovens fazem com relação a seus corpos, esquecendo-se do mens sana corpore sano (ou algo assim, estou citando de cabeça, por isso perdoem meu latim), ou seja, devemos work out corpo e mente de maneira a criarmos seres humanos mais completos.

Temos (alguns, não eu) corpos dionisíacos e cérebros de sapos (que me perdoem os admiradores destes)!

Trabalho com jovens e adultos. Embora as metas sejam semelhantes, os resultados diferem sobremaneira. Mesmo aqueles que tiveram pouca educação no passado, a tiveram em melhor qualidade do que os que ingressaram nos assentos escolares em época mais recente.

Estes, os mais jovens, fazem parte de uma geração acostumada a ter tudo à mão (no celular, por exemplo) e cuja ferramenta mais completa de pesquisa e informação chama-se Google. Não pensam não escrevem (muito) não lêem (muito) : apenas inserem informações e clicam search. Pronto! Voilá!

Copy and cut. Uma repetição infindável do mesmo trabalho, das mesmas informações, um gasto exorbitante de tinta e papel (prejudicando ainda mais o meio-ambiente).

Às vezes, recebo um trabalho mais elaborado, ou mesmo um trabalho ruim, porem que demonstra o esforço do seu autor para criar alguma coisa nova, de próprio punho. Sofrível, mas merece pelo menos o respeito de uma leitura.

Precisamos recriar a educação em modelos mais atuais, porem não devemos crer na falácia tecnológica. Ter acesso à internet e um computador não resolve o problema. Creio que cria mais um. Novo, inédito: o emburrecimento coletivo e generalizado. Muita informação, feérica, pseudo inovadora, em ritmo acelerado… e tão pouco conteúdo.

Uma espiadela nos itens mais pesquisados já nos informa do que estamos falando: lady gaga my life keith richards skyline crepúsculo harry potter sexo sexo sexo mais crepúsculo vila cruzeiro sexo sexo sexo facebook orkut twitter…

Basta!

Vou ler um bom livro.

Estamos fadados ao alzheimer coletivo se não nos ocuparmos de nossos cérebros.

Talvez o melhor seja curtir uma boa estória , enquanto o aquecimento global cuida de nos exterminar a todos.

Por favor, leiam o artigo http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2010/12/06/escritor-americano-critica-superficialidade-da-internet-alerta-para-perda-de-foco-923196705.asp .

Espalhar idéias discutí-las e rir de tudo no final. Tem gente se levando a sério demais.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sobre cães, homens e o que vem junto.

jon katz a dog year

A dog year. Com jeff bridges.

Quando vi o anúncio, pensei: outro marley e eu? Resolvi dar uma espiada e não é que eu gostei!

Eu sempre gosto de filmes sobre anmais e, bem, os americanos sabem fazer filmes do tipo como ninguém.

Tenho aki em casa um gato chamado frederico e uma cadela, poodle toy, chamada ully. Eles ocupam nosso tempo… o tempo todo. Precisamos alimentá-los, dar carinho, brincar… e é só isso que eles nos pedem. Depois, muito antes do que esperamos, precisamos deixá-los. Vamos nos lembrar deles para sempre. Eu tive um cão setter chamado lucky. Tive que dá-lo pois minha casa não comportava mais um cão daquele tamanho.. e ele era grande , bem grande! Ele e meu filho eram dois companheiros inseparáveis. Carrego até hoje o remorso por não ter me esforçado mais, por não ter permitido que ele ficasse conosco, independente do espaço, das dificuldades… Deixei meu lado humano falar mais alto e , por issso, perdi um grande amigo.

Antes, procurei me certificar de que a pessoa que cuidaria do lucky era uma “boa pessoa”. E era. Era um cara que amava os animais como eu. Minha mulher também estava certa disso.

Ele veio buscá-lo e eu não puder vê-lo ir. Não pude.

Me tranquei no quarto e chorei como um bebê. Fiz isso, escondido, durante muito tempo. Me trancava em algum lugar e chorava a saudade do meu amigo.

A coisa podia ter ficado pior, e ficou. Uma tia só me contou meses depois: lucky durou pouco, depois da partida. Ele ficou doente, triste. Eu havia combinado com o novo dono que, caso houvesse algum problema, ele deveria me procurar. Só que a minha tia achava que a volta do cachorro seria um problema: para mim, para minha família, para a minha casa pequena, para o meu casamento… Por isso ela convenceu o homem a não me ligar. Ela visitava lucky vez ou outra. Ficava com ele um pouco, como costumava fazer, cantava para ele, dava-lhe um picolé… Até que um dia, ela  foi lá e ele não estava mais esperando.

Ele tinha partido. O meu amigo.

Eu ainda acho que ele se foi por saudade. Uma palavra que ele nem sabia o que siginificava.

Mas, eu , sim.

Não posso trazer lucky de volta. Mas posso lembrá-lo;. E,bem, lá vou eu de novo pro banheiro chorar um pouco.

Se vocês se sentem tão proximos de um cão como eu, dêem uma olhada em A DOG YEAR baseado numa estória do jon katz. Não é um grande filme, mas é digno e honesto. Pro cinema que se pratica hoje em dia, já é algo bom o bastante!