terça-feira, 1 de setembro de 2009

Diversidade literária: Paulo Coelho e Rubem Fonseca

Vou falar mais sobre Paulo Coelho. Não... eu não sou mais um fanático seguidor do "mago". Li sim alguns dos seus livros, mais por curiosidade. Não é, nem de perto, meu autor predileto. E acho, sim, seus temas bastante discutíveis. Ainda assim , Paulo merece respeito.
Quando falamos em Paulo Coelho - pensamos em auto-ajuda. Por quê?
Os livros dele, principalmente os últimos, estão longe, muito longe, disso.
Depois vem aquela história de "fórmula".
- Ah o Paulo ( e a gente fala assim, como se o conhecesse) tem aquela fórmula, os livros são todos iguais etc etc.
Não, não são. Pelo menos os que eu li.
Então comecei a examinar os autores aceitos pela inteligentzia e cheguei ao suprassumo da maioria : Rubem Fonseca.
Este sim é um autor de verdade ! dizem. Vou confessar: adoro devoro os livros dele! Não perco um sequer!
Mas , se examinarmos os Livros (com L maiúsculo) do Rubem perceberemos a tal fórmula... Aliás, com o passar dos anos, Rubem é cada vez mais uma cópia, um facsímile , de Rubem. Mas não dá para negar que em todas a s histórias dele as mulheres são hiper sexualizadas, quase objetos, que os homens , marginais ou não, são chauvinistas e usam uma liguagem que navega entre o filosófico e a escrotidão pura. São filósofos de botequim. Advogados, bancários, desempregados, etc. Todos possuem pensamento igual. Para os fãs de Rubem isso não é fórmula, mas "estilo". E que dizer da liguagem do Rubem? Trechos eruditos sobre quadros música livros entremeando as tramas de suspense. Um personagem trivial, anódino, é capaz de citar um obscuro autor genovês.
Este é Rubem Fonseca , o incensado autor de pelo menos uma obra-prima, A grande arte. Alçado , como diriam nos velhos tempos, aos píncaros da glória!
Precisamos olhar com mais atenção nossos monstros sagrados.
Lembro-me de uma entrevista do EM FORSTER , considerado ele também um clássico inglês, em que ele confessava sua incapacidade para desenvolver certas cenas, para as quais recorria a modelos, seus claro, mas ainda assim , modelos. E mesmo nos seus melhores livros isto é bastante perceptível. E ele ainda diz que muitas vezes seus livros terminam abruptamente, por pura incapacidade sua de terminá-los melhor. E quando lhe cobravam que esta ou aquela cena estava mal elaborada, ele respondia: o autor vai até onde pode! Forster confessava que não era capaz de fazer melhor. Aquele era o seu bastante.
Se nos dedicarmos ao bastante de cada autor, talvez aproveitemos mais de sua leitura. O autor é o que é.
Tem muito monstro sagrado por aí que eu detesto. E às vezes reluto em confessar.
Deixemos de estereótipos: vamos ler e ler muito!

Isto é o que realmente importa.

Parabéns aos dois , ao Paulo e ao Rubem. Exemplos da imensa diversidade cultural brasileira.

Um comentário:

  1. Como voce diz no final, parabens ao Rubem. Mas agradeço sua pertinente análise, fugindo das eternas criticas de quem nao leu.
    Abraços
    Paulo Coelho

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