Hoje o programa Estrelas foi premiado com a presença de Arnaldo Jabor. Com seu humor cáustico e , ao mesmo tempo, terno, Jabor é um crítico à moda antiga – que pontua suas observações com tiradas precisas do mais puro humor carioca.
Pena que em tempos do politicamente correto, ele precise pontuar suas observações ferinas, mas engraçadas, com um “gente, tô brincando!”, escapando assim de algum novo processo por injúria e difamação ou mesmo a pecha de chauvinista.
Este humor praticado por Jabor tem origem na língua ferina de Nelson Rodrigues, nos comentários jocosos de um Barão de Itararé, e outros maledicentes, sem os quais a cultura e a inteligentzia nacionais seriam muito menos interessantes.
Jabor agrada exatamente porque fala o que lhe vem à mente, sem medo de ser feliz, e, como disse à Angélica, não se arrepende de nada que tenha dito, ainda que algumas de suas tiradas lhe tenham garantido uns cinco processos.
Jabor, que sobreviveu aos anos de chumbo, que foi testemunha dos anos dourados cariocas, há de sobreviver ao politicamente correto.
Perto dele, Diogo Mainardi é apenas “ferino” – sem humor. Agressivo, contraditório, sem contudo equilibrar o fel com a ternura de um por-do-sol à beira-mar, ou mesmo um sorrisinho malicioso que provoca e acarinha.
Jabor é um tapa com luva de pelica.
Precisamos de mais cronistas de humor mau humorado e menos pugilistas das palavras escritas e ditas.
Jabor é o nosso filósofo de bolso, erudito e popular.
Salve, Jabor!
Nenhum comentário:
Postar um comentário