Minha mulher foi deitar cedo. Estava de saco cheio, como fez questão de dizer. Nada a fazer: foi pro computador, visitou alguns sites, sem se fixar em nenhum, depois comeu pizza. e um doce crocante qualquer, voltou pro computador, ligou a tv, viu o final da novela, foi ao banheiro, escovou os dentes, disse que estava de saco cheio, passando pela sala e indo para o quarto.
Fiquei sozinho.
Assisti RED, com Bruce Willis – legalzinho; meu filho juntou-se a mim ali pela metade do filme e ficou fazendo perguntas sobre a história, então eu coloquei no começo e voltei a assistir com ele.
Ele gostou mais do que eu. Achei divertido.
O último filme que vi e fiquei tocado foi O SEGREDO DOS SEUS OLHOS. Maravilhoso. Fantástico. Ricardo Darin está cada vez melhor. Soledad Villamil é preciosa e linda. Que rosto!
Eles já haviam trabalhado juntos num outro filme, acho que se chamava “O mesmo amor, a mesma chuva”, e já me programei pra assistí-lo. As críticas falam muito bem dele.
Escrevo deitado no sofá. O laptop sobre uma base com ventoinha. Minhas juntas doem.
Outro dia, no meio da semana, faltei ao trabalho e levei a família ao Barra Shopping. Min ha mulher queria ver as roupas. Eu e minha filha, os livros. Meu filho queria mesmo era saber dos novos games.
Combinamos de nos encontrar na Livraria da Travessa. Assim ninguém precisava correr. Minha mulher olhou para dentro da livraria.
- Livros demais, ela disse. Todos esses livros e a maioria deles não será lida.
Fiquei pensando no destino triste dos livros não-lidos. E minha mulher deve ter sua razão. Horas dias meses de esforço e preocupação. Depois acabam num stand esperando que alguém venha resgatá-los de sua condição de mortos-vivos. Ou natimortos.
Quem faz o livro é o leitor.
E deve haver pelo menos um leitor para cada livro. E não são tantos livros assim, se fizermos uma comparação com a população mundial.
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